Tecnologia dá apoio ao Bitcoin até hoje, mas recentemente começa a surgir um maior interesse de uma variedade de indústrias por ela

O blockchain (também conhecido como "o protocolo da confiança") é uma tecnologia que visa a descentralização como medida de segurança. São bases de registros e dados distribuídos e compartilhados que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. Funciona como um livro-razão, só que de forma pública, compartilhada e universal, que cria consenso e confiança na comunicação direta entre duas partes, ou seja, sem o intermédio de terceiros. Está constantemente crescendo à medida que novos blocos completos são adicionados a ela por um novo conjunto de registros. Os blocos são adicionados à blockchain de modo linear e cronológico. Cada nó - qualquer computador que conectado à essa rede tem a tarefa de validar e repassar transações - obtém uma cópia da blockchain após o ingresso na rede. A blockchain possui informação completa sobre endereços e saldos diretamente do bloco gênese até o bloco mais recentemente concluído.

A blockchain é vista como a principal inovação tecnológica do bitcoin visto que é a prova de todas as transações na rede. Seu projeto original tem servido de inspiração para o surgimento de novas criptomoedas e de bancos de dados distribuídos.

Definição

Blockchain é um tipo de Base de Dados Distribuída que guarda um registo de transações permanente e à prova de violação. A base de dados blockchain consiste em dois tipos de registros: transações individuais e blocos.

Um bloco é a parte atual da blockchain onde são registados algumas ou todas as transações mais recentes e uma vez concluído é guardado na blockchain como base de dadospermanente. Toda vez que um bloco é concluído um novo é gerado. Existe um número incontável de blocos na blockchain que são linkados uns aos outros - como uma cadeia - onde cada bloco contém uma referência para o bloco anterior.

História

A blockchain foi primeiramente definida no código fonte original do bitcoin. Portanto, estão intimamente ligados no que diz respeito ao surgimento de ambos.

A definição original foi criada em 2008 com a publicação do artigo "Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System" publicado por Satoshi Nakamoto (cuja real identidade permanece em aberto apesar de haver algumas especulações e pronunciamentos a respeito). Em 2009 o código foi lançado como código aberto.

Assim, em 2009 começa a rede do bitcoin quando Satoshi Nakamoto minerou os primeiros bitcoins. Satoshi Nakamoto desaparece então em 2011 do público - isto é, dos fóruns, artigos e contribuições de código acerca do bitcoin. Mas mesmo com a ausência de Satoshi Nakamoto, o bitcoin continuou a ser desenvolvido e mercantilizado, com o esforço da comunidade em geral trabalhando para resolver diversos problemas no código - incluindo, por exemplo, uma falha técnica em 2013 que causou uma bifurcação na blockchain.

Sendo a base tecnológica das criptomoedas, a blockchain tem recebido o interesse de bancos, empresas e organizações governamentais. Desde então, modificações tem sido feitas a partir da versão original e novas aplicações tem sido atreladas à blockchain.

Em 2014, surge o termo "Blockchain 2.0" usado para descrever um novo projeto no campo de banco de dados distribuído da blockchain.

Em 2015, o jornal The Economist descreveu uma das implementações da segunda geração da blockchain, o Ethereum, como "uma linguagem de programação que permite usuários escreverem contratos inteligentes mais sofisticados [...]". Tal sacada permitiria a formação de "organizações autônomas descentralizadas" (DAO), companhias virtuais baseadas apenas em um conjunto de regras provenientes desta nova geração da blockchain.

Em 2016, foi previsto o montante de 1 bilhão de dólares em investimento em tecnologia ligada à blockchain, pelo mercado financeiro, segundo pesquisa do jornal CCN.

A evolução da blockchain tornou possível também o surgimento de conceitos distribuídos de blockchain, tal como a sidechain, que permitiria uma maior diversidade de blockchains sem comprometer a comunicação entre elas. Este é um conceito importante já que prepararia a rede para uma eminente tendência de diversificação já que diferentes empresas têm trabalhado na implementação de sua própria blockchain.

Descrição 

Blockchain é um banco de dados distribuído que teve seu primeiro destaque como base de funcionamento do bitcoin. Blockchain é, portanto, um livro-razão público que é composto por duas partes: uma rede peer-to-peer e um banco de dados distribuído descentralizado. 

Rede Peer-to-peer

De um modo geral e simples, uma rede P2P é uma arquitetura de computadores ou redes que compartilha tarefas, trabalho, ou arquivos entre pares (peers). Pares são parceiros na rede com iguais privilégios e influência no ambiente. Em uma rede P2P cada computador ou usuário é chamado de nó e coletivamente eles compõem uma rede P2P de nós.

A rede P2P na blockchain consiste de uma série de computadores e servidores onde cada um atua como um nó na rede. Quando uma nova mensagem entra na rede, a informação nesta mensagem é propagada entre todos os nós da rede P2P. A informação é normalmente encriptada e privada e não há como rastrear quem adicionou a informação na rede apenas verificar sua validade.

Bancos de Dados Distribuídos e Descentralizado 

A rede como um todo é descentralizada o que significa que não há um ponto único de falha no sistema. Se um nó deixa a rede, outros nós já tem armazenado uma cópia exata de toda a informação compartilhada. De modo inverso, se um nó entra na rede os nós iniciais imediatamente criam cópias de suas informações para o novo membro.

Blocos e Transações 

O bloco gênese é codificado no software e serve como o estado inicial do sistema. Ele pode conter informações sobre as regras ou instruções sobre o banco de dados restante.

Feito isto, o banco de dados é formado a partir de uma série de blocos que juntos formam uma cadeia. É deste ponto que surge o nome 'cadeia de blocos' (blockchain). Cada bloco na cadeia contém informação ou transações. À medida que se adicionam transações, sua informação é guardada no bloco de acordo com o momento que ela foi processada. Esta combinação de informação e tempo cria um livro-razão que documenta valor ou outros recursos no banco de dados.

Após as transações serem empilhadas no bloco, uma assinatura ou "hash" é adicionada no final do bloco. O hash é linkado ao bloco anterior da cadeia. Estes hashes formam as ligações voltando entre as cadeias até chegar ao bloco gênese. O hash inclui o número do bloco atual e o número do próximo bloco da cadeia. Também inclui a data e o momento que foi assinado além da quantidade de transações inclusas no bloco presente. O hash apresenta-se como uma chave encriptografada.

Vantagens

  • Registro em ordem cronológica de todas as transações ocorridas na rede;
  • Compilação e validação das informações pelos próprios participantes, os mineradores;
  • Sistema público, exclusivo, replicado e compartilhado pelos usuários;
  • Manutenção e atualização acontecem de forma voluntária e descentralizada;
  • Programa de recompensa (registro de novos valores) aos usuários que se dedicam à tarefa de mineração;
  • Maior independência, segurança e agilidade nas operações e transmissão das informações, já que não há necessidade da existência de um "terceiro de confiança";
  • Redução dos custos de transação no setor financeiro;
  • Sistema de pagamento otimizado, com tempo de liquidação acelerado;
  • Maior transparência nos serviços.
  • Eliminação de troca por intermediário e falta de confiança

Duas partes são capazes de fazer uma troca sem a supervisão ou intermediação de uma terceira parte, reduzindo fortemente ou até eliminando o risco de contraparte.

  • Empoderamento dos usuários

Usuários estão no controle de todas as suas informações e transações.

  • Alta qualidade de dados

Os dados da blockchain são completos, consistentes, datados, precisos e amplamente disponíveis.

  • Durabilidade, confiabilidade e longevidade

Devido as redes serem descentralizadas, a blockchain não tem um ponto central de falha e é mais resistente a ataques maliciosos.

  • Integridade de processo

Usuários podem confiar que suas transações serão executadas exatamente como o protocolo determina, removendo a necessidade de uma terceira parte.

  • Transparência e imutabilidade

Mudanças a blockchains públicas são visíveis publicamente por todas as partes, criando transparência, e todas as transações são imutáveis, isto é, elas não podem ser alteradas ou deletadas.

  • Simplificação de ecossistema

Com todas a transações sendo adicionadas a um único livro-razão público, isso reduz a desordem e complicações geradas por múltiplos livros-razões.

  • Transações mais rápidas

Transações interbancárias podem potencialmente levar dias para serem compensadas e terem acordo final, especialmente fora do horário de trabalho. Transações com blockchain podem reduzir o tempo de transações para minutos e são processadas 24 horas por dia e 7 dias por semana.

  • Menor custo por transação

Eliminando o intermédio de terceiros e despesas gerais para troca de bens, blockchains têm o potencial de reduzir significativamente taxas de transações.

  • Digital

Praticamente qualquer documento ou bem pode ser expressado em forma de código e encapsulado ou referenciado por uma entrada do livro-razão, o que significa que a tecnologia blockchain tem aplicações muito amplas, a maioria ainda não pensada, muito menos implementada.

Desafios

  • Tecnologia nascente

Resolver desafios como velocidade de transação, o processo de verificação, e limites de dados será crucial para tornar a blockchain amplamente aplicável.

  • Estado regulatório instável

Como as moedas modernas sempre foram criadas e reguladas pelos governos nacionais, blockchain e bitcoin enfrentarão obstáculos na adoção generalizada por instituições financeiras preexistentes se a regulamentação de seu governo permanecer instável.

  • Grande consumo de energia

Mineradores da rede blockchain do bitcoin estão tentando trilhões de soluções por segundo em esforços para validar transações,[carece de fontes] usando uma quantidade substancial de poder computacional.

  • Controle, segurança e privacidade

Enquanto as soluções existem, incluindo blockchain privada e permissionada e forte encriptação, há ainda assuntos de segurança cibernética que precisam ser resolvidos antes que o público geral confie seus dados pessoais a uma solução blockchain.

  • Questões de integração

As aplicações da blockchain oferecem soluções que exigem mudanças significativas, ou a substituição completa de sistemas existentes. A fim de realizar a troca, as empresas precisam desenvolver uma estratégia de transição.

  • Adoção cultural

Blockchain representa uma troca completa para uma rede descentralizada que requer a participação de seus usuários e operadores.

  • Custo

Blockchain oferece uma grande economia em preço e tempo por transação mas os altos custos de capital inicial podem ser um impedimento.

Sidechains

Transações bitcoin são armazenadas em um livro-razão transparente, chamado blockchain. Ela é protegida por uma forte rede de hash distribuída, como já explicado. A sidechain é uma blockchain que valida dados de outras blockchains e permite a transferência de bitcoins e outros bens entre blockchains, promovendo uma nova plataforma, aberta para a inovação e desenvolvimento. O uso de um caminho duplo lateral permite que moedas digitais e outros bens sejam transferidos entre cadeias com uma taxa de câmbio fixa ou de outra forma determinística. Uma sidechain atrelada é uma blockchain cujo os bens podem ser importados e retornados para outras sidechains. Sidechains permitem que a blockchain seja aprimorada com melhor desempenho e proteção de privacidade. Elas permitem também novas extensões para dar suporte a classes de bens inumeráveis, como ações, títulos, derivativos, moedas do mundo real e/ou virtual, bem como, adicionar recursos como contratos, alças de segurança e registros de propriedade do mundo real. Sidechains podem ter outras sidechains para coisas como micropagamentos. Elas permitem a experimentação e pré-lançamento de futuras sidechains e até mesmo de uma versão beta do bitcoin em si.

Blockchains Alternativas 

Blockchains alternativas (altchains) são baseadas na tecnologia bitcoin em conceito e/ou código. Estes projetos geralmente adicionam funcionalidades à blockchain. Altchainspodem fornecer soluções incluindo outras moedas digitais. Elas visam desempenho, anonimato, armazenamento e aplicações como contratos inteligentes. Começando com um forte foco em aplicações financeiras, a tecnologia blockchain está se expandindo para atividades incluindo aplicações descentralizadas e organizações colaborativas que eliminam intermediários.

Porém, alguns problemas podem ser apontados devido a alta proliferação de altchains. Primeiro, a segurança e confiabilidade de uma rede blockchain depende de seu tamanho - o número de nós envolvidos - e a blockchain do bitcoin tem vantagens em termos de poder computacional, que torna difícil criptomoedas incipientes ganhar ampla adoção. Segundo, bifurcação no desenvolvimento resulta em uma separação de bens e redes das altchains. Isso significa que cada altchain duplica grande quantidade de código e funcionalidade de outras blockchains sem ser diretamente integrada com elas. Isso significa também que bens, como em Bitcoin e Namecoin, não podem ser transferidos diretamente entre blockchains tornando necessário o uso de sidechains.

  • Ethereum

É uma plataforma descentralizada que executa contratos inteligentes utilizando uma blockchain customizada capaz de mover valor e representar a propriedade sobre um bem. Isto permite que desenvolvedores criem mercados, armazenem registros de dívidas, movimente fundos de acordo com instruções dadas à longo prazo sem a necessidade de uma terceira parte.

  • Namecoin

É uma tecnologia experimental de código aberto que melhora a descentralização, segurança, resistência à censura, privacidade e velocidade de certos componentes da infraestrutura da Internet como DNS e identidades e outras tecnologias.

  • Datacoin

É uma moeda confiável, livre de censura que pode ser usada para transações e armazenamento de dados na nuvem dentro de uma blockchain.

  • Bitmessage

Utiliza blockchain como um meio de armazenamento de mensagens por dois dias. Devido a sua estrutura em árvore, tudo exceto a raiz hash pode ser deletado sem comprometer a integridade da cadeia.

Bancos e Blockchain

Apesar das diferentes aplicações que o blockchain pode suportar, a aplicação financeira, lançada pela moeda criptografada (o bitcoin) é a que está exercendo maior impacto no momento. Muitos bancos já realizam experiências com a finalidade de adaptar o sistema aos seus próprios interesses e necessidades. A descentralização traz diferentes benefícios às instituições financeiras, contribuindo para aprimorar atividades como:

  • Liquidação de operações no mercado financeiro;
  • Pagamentos cross-border (banco nacional - investidor estrangeiro);
  • Registro de títulos;
  • Armazenamento de documentos e contratos;
  • Rastreamento de transações;
  • Pagamentos com pessoas que não dispõem de conta bancária.
  • Resguardar dados dos clientes da rede

Os resultados já se fazem sentir ou são previstos com muita precisão. A tecnologia blockchain vem desenvolvendo importante papel no mercado de valores e transformando definitivamente a face do comércio. Conforme estudos realizados em co-autoria pelo Banco Santander, o sistema blockchain pode eliminar até 20 bilhões de dólares de custos bancários. O banco, que é o 10º maior do mundo, também assegura que é possível utilizar o blockchain em mais de 25 aplicações bancárias.

Assim, bancos como o próprio Santander (sediado na Espanha), Citibank (sediado nos EUA), Goldman Sachs (sediado nos Estados Unidos), BBVA (sediado na Espanha), Westpac e Commonwealth Bank (sediados na Austrália) e muitos outros já estão investindo na nova tecnologia visando redução de gastos e maior eficiência nas negociações.

Os Bancos e Instituições no mundo inteiro estão estudando a adoção deste tipo de criptografia. De acordo com Camille Ocampo, diretor de serviços financeiros da Capgemini em entrevista à revista Ciab, " O Blockchain representa para o setor financeiro uma revolução equivalente ao compartilhamento de arquivos em redes ponto-a-ponto no segmento de música".

Marcelo Frontini, do Bradesco, ressalta o uso em aplicações para gestão de contratos. O Blockchain seria, neste caso, o meio utilizado para autenticar legalmente uma transação para as partes envolvidas - retirando a necessidade de estágios burocráticos como registros e reconhecimentos de firmas em cartórios. Outra vantagem está na possibilidade de automatizar a execução desses documentos, desenvolvendo sistemas capazes de verificar se as regras e condições estão sendo cumpridas.

Apesar das diferentes aplicações que o blockchain pode suportar, a aplicação financeira, lançada pela moeda criptografada (o bitcoin) é a que está exercendo maior impacto no momento. Muitos bancos já realizam experiências com a finalidade de adaptar o sistema aos seus próprios interesses e necessidades. A descentralização traz diferentes benefícios às instituições financeiras, contribuindo para aprimorar atividades como:

  • Liquidação de operações no mercado financeiro;
  • Pagamentos cross-border (banco nacional - investidor estrangeiro);
  • Registro de títulos;
  • Armazenamento de documentos e contratos;
  • Rastreamento de transações;
  • Pagamentos com pessoas que não dispõem de conta bancária.
  • Resguardar dados dos clientes da rede

Os resultados já se fazem sentir ou são previstos com muita precisão. A tecnologia blockchain vem desenvolvendo importante papel no mercado de valores e transformando definitivamente a face do comércio. Conforme estudos realizados em co-autoria pelo Banco Santander, o sistema blockchain pode eliminar até 20 bilhões de dólares de custos bancários. O banco, que é o 10º maior do mundo, também assegura que é possível utilizar o blockchain em mais de 25 aplicações bancárias.

Assim, bancos como o próprio Santander (sediado na Espanha), Citibank (sediado nos EUA), Goldman Sachs (sediado nos Estados Unidos), BBVA (sediado na Espanha), Westpac e Commonwealth Bank (sediados na Austrália) e muitos outros já estão investindo na nova tecnologia visando redução de gastos e maior eficiência nas negociações.

Confira bancos e empresas que investem em tecnologia blockchain:

  • O Banco Central Holandês está desenvolvendo um protótipo interno do sistema blockchain, o DNBCoin, visando a aplicação de sua própria moeda digital;
  • No Japão, o Mizuho Bank, junto com Fujitsu e Fujitsu Laboratories, realizou um teste experimental de 3 meses, usando o blockchain;
  • O Deutsche Bank (sediado na Alemanha), o HSBC e o Barclays (sediados na Inglaterra) utilizam tecnologia blockchain desenvolvida pela IBM e outras empresas;
  • KRX, operador da bolsa de valores na Coreia do Sul, pretende inaugurar uma plataforma de blockchain para estimular as transações off-board;
  • A startup norte-americana R3 CEV formou um consórcio de 25 bancos de investimento visando o desenvolvimento de um sistema blockchain privado que substitua sistemas internos;
  • ICAP, empresa britânica de serviços financeiros, também já está usando a tecnologia blockchain;
  • Empresas de cartão de crédito se preparam para lançar aplicações em blockchain;
  • A IBM também desenvolve projetos que visam aperfeiçoar o sistema blockchain, com a criação de um novo algoritmo e uma arquitetura mais adaptável, incluindo uma versão em nuvem.
  • A Nasdaq, onde se negociam ações de empresas de tecnologia em Nova York, usa desde dezembro a tecnologia de blockchain para registrar troca de ações de empresas não listadas em bolsa.

O que é o Hyperledger? 

O Hyperledger é um projeto que tenta unificar todas as abordagens de código aberto do blockchain que existem atualmente. A meta? De acordo com a página oficial do Hyperledger, "o projeto está desenvolvendo um framework de blockchain de propósito geral que possa ser utilizado em vários setores da indústria, dos serviços financeiros, varejo, fabricação e mais". 

O que é significativo sobre esse projeto, em comparação com os inúmeros e diversos projetos de código aberto que estão espalhados pela internet, é a participação da indústria e de grandes nomes por detrás dele. De acordo com o projeto, os membros fundadores da iniciativa incluem ABN AMRO, Accenture, ANZ Bank, Blockchain, BNY Mellon, Calastone, Cisco, CLS, CME Group, ConsenSys, Credits, The Depository Trust & Clearing Corporation (DTCC), Deutsche Börse Group, Digital Asset Holdings, Fujitsu Limited, Guardtime, Hitachi, IBM, Intel, IntellectEU, J.P. Morgan, NEC, NTT DATA, R3, Red Hat, State Street, SWIFT, Symbiont, VMware e Wells Fargo. 

As metas atuais do Hyperledger são as de combinar projetos em aplicações práticas de blockchain: o Rippled, um registrador distribuído publicamente escrito em C++ que lida com pagamentos entre diferentes moedas utilizando livros de ordem da Open Blockchain, da IBM, uma estrutura de baixo nível que implementa contratos inteligentes, recursos digitais, repositórios de registro, redes orientadas a consenso e a segurança criptográfica do Hyperledger, da Digital Asset, que é um servidor de blockchain pronto para implantação com uma API de cliente atualmente disponível para uso por parte de empresas de serviços financeiros. Ele funciona ao utilizar um registro de transação apenas de adição que é projetado para ser replicado entre múltiplas organizações separadas, todas sem um nexo de controle. (A empresa matriz, a Digital Asset Holdings, emprestou o nome registrado Hyperledger para o projeto de código aberto como parte de sua contribuição).

A gigante industrial da tecnologia IBM está contribuindo com centenas de milhares de linhas de código para o projeto Hyperledger enquanto deixa claro que acredita que a tecnologia aberta é a melhor forma de criar uma implementação verdadeiramente aplicável do blockchain para o mercado empresarial e de negócios atual. De fato, a IBM vê a tecnologia de blockchain e de registro como uma forma de deixar a internet mais ciente do comércio.

"Como uma iniciativa aberta e vasta, que inclui muitos especialistas diferentes da área do blockchain, o projeto Hyperledger avançará os padrões de blockchain abertos para utilização em muitas indústrias", conta Jerry Cuomo, vice-presidente de blockchain da IBM. "Ao focar em uma plataforma aberta, não existe limite para os tipos de aplicações e frameworks que um dia serão criados com base nela".

Claro que existem limites práticos para isso. "O problema com aplicações práticas do Blockchain é que é bem complexo de encontrar projetos que sejam genuinamente adequados", conta Reynolds. "Existe muito do pensamento 'Tenho um martelo, então isso precisa ser um prego' com relação ao Blockchain. Ele é mais adequado para cenários onde os próprios dados são públicos, mas que você não quer precisar fornecer confiança explícita para entidades a fim de que atualizem os dados. Aplicações públicas ou regulatórias tendem a se adequar bem a isso".

Dito isso, claramente existe um local para criação de um alicerce para comércio online distribuído baseado em registros na internet. Em uma nota na The Block Chain Conference, realizada em São Francisco, em fevereiro, o diretor Global de Ofertas de Blockchain da IBM, John Wolpert, disse que "precisamos evoluir a internet para deixá-la economicamente ciente, e essa internet não vai ser uma aplicação, ela será a estrutura". Ele vê o Hyperledger como o projeto que está explorando a melhor versão dessas tecnologias, para construir essa estrutura.

Blockchain: saiba o que é e como pode ser usado pelos Bancos

Devido ao contínuo avanço tecnológico e às mudanças proporcionadas pelos novos recursos digitais, novos conceitos e novas ferramentas surgem a todo momento. Essas inovações abrangem praticamente todos os setores da sociedade, sendo que o mundo dos negócios é um dos mais afetados. O Blockchain é mais uma dessas inovações disruptivas, cujo uso está crescendo no mundo inteiro.

Eliminar os intermediários, garantir maior segurança e simplicidade é a promessa do Blockchain para o mercado financeiro. Existem diversas oportunidades de utilização do Blockchain e a tendência é que todos os bancos adotem esta tecnologia nos próximos anos. Ele é, afinal, um excelente recurso para otimizar serviços e garantir o potencial competitivo das instituições financeiras. 

Definindo o Blockchain

Literalmente, a palavra "blockchain" significa "cadeia de blocos"e é uma tecnologia para uma nova geração de aplicações transacionais que estabelece confiança, prestação de contas e transparência enquanto simplifica de forma eficiente os processos de negócio.

É um banco de dados distribuídos, sendo praticamente invulnerável a falhas e adulterações, e as múltiplas utilidades descolam-se da tecnologia da criptomoeda bitcoin - para a qual foi criada.

Antes do desenvolvimento da tecnologia blockchain, os registros contábeis eram mantidos em bancos de dados centralizados e não-públicos. As pessoas precisavam confiar na idoneidade do banco de dados para ter certeza de que não haveria nenhuma alteração nos registros (saldos e transações da conta).

Com o blockchain, os dados são distribuídos entre todos os participantes, com total transparência e descentralização. Torna-se, portanto, desnecessário confiar em uma terceira pessoa para que os dados contábeis sejam registrados corretamente e não haja perigo de fraudes.

Como funciona o Blockchain

Na contabilidade distribuída, as técnicas computacionais criam uma cadeia de blocos de código (blockchain) para o registro das operações. Trata-se de uma espécie de livro- razão público que guarda a lista de quem possui um ativo (seja ele uma moeda, ações, imóveis ou qualquer outro bem) na internet ou rede de negócios privativa. Ao realizar a transferência digital do ativo, o sistema aciona uma rede de " confirmadores", que devem entrar em consenso para validar a transação. Cada uma das partes envolvidas possui um pedaço chave criptográfica para acessar os dados e montar o bloco de informações, dando confiabilidade ao processo. "É como se a transação fosse realizada em uma mesa de reuniões. Cada parte se manifesta e as "testemunhas" confirmam o negócio, sem intermediários", exemplifica Marcelo Frontini, diretor do departamento de pesquisa e desenvolvimento do Bradesco. O Blockchain ganhou destaque no setor financeiro e foi tema de uma matéria da revista Ciab Febraban (Ciab 62). Esta definição e citação foi apresentada em uma matéria sobre blockchain.

Cada usuário independente é denominado de "minerador " e ele tem a função de validar e registrar as transações. Esse processo chama-se "mineração". Como recompensa por essa validação e registro, o minerador pode criar novas unidades no bloco registrado. As transações são transmitidas para a rede através de um software. Exemplo de uma transação financeira:

Pagador Luís enviou R$ 500,00 para o recebedor Valter

Os mineradores confirmam a validade da transação e a adicionam ao próximo bloco da cadeia de blocos. A cada 10 minutos, um novo bloco é adicionado à cadeia de blocos por um minerador. A cadeia de blocos recebe o novo bloco que contém diferentes transações recentes, incluindo aquela que traz a informação de que o recebedor Valter agora tem + R$ 500,00 e o pagador Luís tem - R$ 500,00.

O Blockchain não depende da confiança entre os vários usuários, denominados de "nós da rede". Qualquer usuário pode controlar e monitorar um nó do sistema. Ele é executado e mantido coletivamente pelos diversos nós da rede peer-to-peer (ponto a ponto) para registrar as transações. Utiliza-se a criptografia de código aberto para garantir funções básicas de segurança, evitando gastos excessivos, falsificações e adulterações do banco de dados. O Blockchain executa contabilidade aberta sem a necessidade de uma autoridade central de máxima confiança.

Separamos dois infográficos que explicam o passo a passo como funciona o blockchain:

Fonte: Blog MJV
Fonte: Blog MJV

Finalidade do Blockchain

A partir da forma de funcionamento, fica fácil concluir qual a finalidade da tecnologia blockchain. Como toda tecnologia, o blockchain pretende otimizar processos, conferindo maior agilidade às transações e maior segurança no controle e acesso de informações, sem a necessidade de intermediação de terceiros, nem de um sistema centralizado.

Cada bloco da cadeia possui referências ao bloco imediatamente anterior e é carimbado com um código, ou hash, na rede. Além de possuir todas as informações sobre as transações e a referência ao bloco anterior, cada bloco dispõe da solução da Prova de Trabalho (Proof-Of- Work) que permite a aceitação e validação do bloco por todos os participantes da rede.

O blockchain é um grande e único livro-razão, compartilhado por todos os membros do sistema. As transações são registradas de forma irreversível, em uma relação direta com o tempo: quanto mais antigo o bloco, mais impraticável a reversão das operações. Isso significa que as possibilidades de fraudes reduzem-se drasticamente à medida que o tempo passa - e como o tempo em rede é medido de forma bem mais dinâmica e ágil, as possibilidades de adulterações e falhas tornam-se praticamente nulas.

Este infográfico, criado pela BTC Media, é um mapeamento do ecossistema do blockchain e o bitcoin em 2016, desenhado em forma de uma cidade! No canto superior direito, observamos os grandes Bancos que já estão estudando e utilizando o blockchain.

Fonte: Banking Tech
Fonte: Banking Tech

Conclusão 

Blockchain é uma base de dados distribuída que mantém um livro-razão expansível de dados e registros. Este livro-razão é encriptado e protegido contra adulteração, revisão e deleção. Os blocos que compõem a blockchain, processados continuamente à medida do tempo, contém hashes que linkam e indicam informação importante na base de dados. A mistura de transações, blocos e descentralização de dado no livro-razão permite grandes oportunidades em diversas áreas.